Reformulação e tecnologia: impulsionando a inovação e a sustentabilidade na indústria andina de alimentos e bebidas

A indústria de alimentos e bebidas vive um momento decisivo. As mudanças no comportamento do consumidor, as mudanças regulatórias, os impactos da inflação e a importância de tornar produtos mais saudáveis e sustentáveis estão acelerando um movimento sem precedentes de inovação e reformulação em todo o mundo e na região andina não é diferente.

Esse processo é hoje uma condição essencial para competitividade, acesso e sobrevivência de marcas e categorias. Reformular para atender regras de rotulagem, ajustar perfis nutricionais, reduzir custos tributários, diminuir ingredientes restritos ou simplesmente acompanhar a demanda por produtos mais funcionais e naturais exige novas tecnologias, métodos mais ágeis e colaboração profunda entre indústria e especialistas.

Foi dentro desse contexto que Camilo Montes, Diretor Executivo da Câmara de Alimentos da ANDI e Presidente da ALAIAB, e Reynaldo Barros, Gerente Geral da Kerry para a região CACar & Andina, discutiram os caminhos que moldam o setor, da ciência regulatória à inteligência artificial, passando pelo combate ao desperdício e pela urgência da sustentabilidade.

As mudanças no comportamento do consumidor estão acelerando um movimento sem precedentes de inovação e reformulação em todo o mundo 

Reformulação: um passo além da conformidade

A reformulação deixou de ser reativa. Hoje, ela representa um espaço estratégico onde ciência, tecnologia e inovação se conectam diretamente ao resultado do negócio.

Para Camilo Montes, é crucial que legislação e evidências científicas evoluam juntas: “A regulação tem papel importante, mas a reformulação está relacionada com o universo da inovação.” 

Ele reforça que decisões sobre aditivos, ingredientes e rotulagem devem se apoiar em dados claros, e não apenas em percepções, para evitar distorções que criem barreiras desnecessárias à competitividade. O desafio é encontrar o equilíbrio entre segurança, clareza para o consumidor e viabilidade industrial.

Tecnologia e IA: aceleradores invisíveis de sabor, eficiência e nutrição

A inteligência artificial já está transformando profundamente a cadeia de alimentos, muitas vezes de forma imperceptível para o consumidor.

Reynaldo Barros destaca como algoritmos sustentam parte do trabalho da Kerry: “Muitos destes sabores são sugeridos por algoritmos e confirmados por nossos especialistas. Usamos dados de mais de 160 países que, combinados ao nosso conhecimento local, se transformam em inovação.”

Além de prever preferências de sabor e antecipar tendências, a IA ajuda a:

• estender shelf-life, reduzindo desperdício;

• modelar combinações de ingredientes para melhorar custo e performance;

• aumentar precisão em reformulação, mantendo sabor e textura;

• criar produtos mais nutritivos e acessíveis sem comprometer indulgência.

Montes complementa que IA, biotecnologia e nutracêutica formam as três famílias tecnológicas que mais vão influenciar o setor nos próximos anos.

 

Sustentabilidade: de pauta corporativa a exigência global

A urgência da sustentabilidade não é mais retórica. Segundo Reynaldo, se continuarmos produzindo e consumindo como hoje, “precisaríamos de três planetas para alimentar a humanidade”.

Os números na Colômbia reforçam a dimensão do desafio: 6 milhões de toneladas de alimentos são perdidas por ano, sendo 40% ainda na etapa agrícola.

Camilo Montes destaca duas forças competitivas da região:

• Uso sustentável da biodiversidade, aproveitando a riqueza natural local;

• Eficiência energética, reduzindo impactos industriais.

Dentro da indústria, isso se traduz em economia circular, upcycling e na adoção de ingredientes que reaproveitam fluxos antes descartados.

 

Olhando adiante: uma indústria mais consciente, ágil e colaborativa

O ambiente na região é de otimismo cauteloso. A indústria começa a retomar ritmo, puxada por um consumidor mais informado e por cadeias que buscam eficiência sem perder qualidade.

Montes destaca que o colombiano está cada vez mais consciente, mas sensível ao preço, o que torna acessibilidade e inovação duas faces da mesma moeda.

Com hábitos de consumo se expandindo, de três para até sete ocasiões alimentares ao dia, a demanda por conveniência, indulgência e nutrição coexistem e desafiam marcas a se reinventarem.

A inovação e a reformulação são hoje elementos estruturais para o futuro da indústria andina de alimentos e bebidas. Tecnologias como inteligência artificial, novos modelos de P&D, ciência regulatória aplicada e práticas sustentáveis já estão disponíveis, e o desafio agora é transformá las em soluções concretas, eficazes e acessíveis para o consumidor.

 

A inovação e a reformulação são hoje elementos estruturais para o futuro da indústria

O papel dos hubs de inovação: o Co-Creation Center como resposta prática

É nesse cenário de mudança acelerada que a Kerry inaugurou o Customer Co‑Creation Center em Medellín, como um recurso fundamental para dar vida a esse novo ciclo de inovação.

O espaço foi concebido para encurtar o caminho entre desafios técnicos e soluções prontas para teste, conectando equipes locais e globais, tecnologias emergentes, dados de consumo e expertise regulatória.

Laboratórios especializados, cozinha experimental, proximidade com clientes e integração com P&D, chefs e mixologistas de países como México, Costa Rica, Guatemala, Brasil e Estados Unidos tornam o hub um facilitador direto daquilo que o mercado mais precisa: velocidade, segurança técnica e soluções adaptadas ao paladar andino.

O novo Kerry Customer Co‑Creation Center em Medellín surge como infraestrutura estratégica para aproximar  ciência, tecnologia e colaboração das necessidades reais da indústria.

Para aprofundar mais esses temas, confira na íntegra os principais trechos do painel entre Camilo Montes e Reynaldo Barros, realizado durante a abertura do centro.

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